Desde 2002, o Sebrae Pará atua no setor de artesanato da cidade com cursos de capacitação, apoio ao mercado e promoção de eventos. A instituição, voltada para as micro e pequenas empresas, também organiza feiras para apoiar a comercialização da atividade na época do Círio de Nazaré, a exemplo das Feiras do Círio e do Miriti, que acontecem em Belém durante as festividades de Nossa Senhora de Nazaré.
Os artesãos de Abaetetuba contam ainda com os ensinamentos do Sebrae sobre cooperativismo e associativismo; consultorias de tecnologia para melhoria de produtos; consultorias para acesso a mercado que facilitam a organização e planejamento para a participação em eventos, como feiras e rodadas de negócios.
O Miriti Fest, que acontece desde 2004, neste ano expôs cerca de 22 mil peças fabricadas pelas famílias dos 50 de artesãos associados à Associação dos Artesãos de Artesanato de Brinquedo de Miriti de Abaetetuba (Asamab). As peças variavam entre as tradicionais como cobras, tatus, barquinhos, dançarinos e canoas e as novidades como móbiles e embalagens, com grande expectativa de vendas. Também foram montados 22 estandes de alimentação, onde os visitantes puderam saborear vinhos, doces, mingaus e outras delícias feitas com o miriti, culinária esta preparada com o fruto, inclusive massas, bombons e bebidas.
O Miriti – Belo, singelo e muito representativo da realidade regional, o artesanato de miriti ou buriti faz parte da cultura e do cotidiano dos paraenses, figurando com mais intensidade em Belém, durante o Círio de Nazaré, na feira do Ver-o-Peso e nas portas do Museu Emílio Goeldi e do Bosque Rodrigues Alves. A matéria-prima do artesanato é extraída da palmeira Maurita flexuosal, conhecida vulgarmente pelo nome de miritizeiro ou buritizeiro, abundante nas matas ciliares, várzeas e margens dos igarapés da região.
O vegetal tem várias utilidades: fornece palha para cobrir cabanas; broto ou grelo para produzir envira, fibra que serve para tecer maqueiras (redes artesanais), tapetes e bolsas; a tala tirada das folhas serve para fazer paneiros, tipitis, cestos, balaios e, ainda, brinquedos de formas variadas, como cobras, pombinhas, soca-socas, barcos, araras, jacarés e tatus, inclusive miniaturas diversas.
A fruta, o miriti, serve como fonte de alimento vitamínico, degustada com farinha e açúcar. É utilizada ainda para produzir licor e vinho e também para agüar o tradicional mingau de farinha-d’água ou de arroz. Do fruto ainda se extrai a tinta para pintar brinquedos e quadros.
A confecção do artesanato começa com a coleta dos talos (braços) da palmeira, no meio do mato. Os braços do miriti são descascados para utilização do miolo e as cascas, bem flexíveis, são transformadas, depois de secas, em cestas, paneiros ou varetas de papagaios e pipas. O miolo, trabalhado com facões de mato, é alisado e transportado em feixes para os produtores dos brinquedos. Os artistas, com ferramentas rústicas (normalmente facas e facões), esculpem e montam peças, segundo suas preferências pessoais. Alguns são especializados em barcos, outros em bonecos, dançarinos, cobras, jacarés, pássaros, vaquinhas, aviões, rádios de pilha, televisores e a escolha deste ou daquele motivo é parte da crônica individual de cada autor ou família de autores. Depois das peças prontas, com as partes coladas e secas, é aplicado o desenho.
Ao contrário de outras formas de artesanato da região, como as réplicas de cerâmica marajoara ou tapajônica, cujas referências estão em achados arqueológicos expostos em livros ou no Museu Paraense Emílio Goeldi, os brinquedos de miriti são manifestações artísticas espontâneas e reflexo da criatividade dos produtores, seja no uso de cores primárias e poucas misturas (azul, vermelho, amarelo, verde, preto), seja na forma utilizada que sempre reflete o universo caboclo, suas influências urbanas e afetivas. Os brinquedos de miriti são quase sempre exclusivos e inéditos.
Histórico – O brinquedo de miriti tem sua origem perdida no tempo, embora alguns historiadores associem sua comercialização ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que acontece no segundo domingo de outubro em Belém. Supõe-se que essa relação tenha surgido por ocasião do primeiro Círio, realizado em 1793, quando ocorreu a Feira de Produtos Regionais da Lavoura e da Indústria.
Para esta feira histórica, cada vila ou cidade do interior enviou produtos como cacau, baunilha, guaraná, mandioca, arroz, cerâmica, tabaco, redes de pesca, pirarucu salgado, cesto, esteira e outros bens, estando, possivelmente, aí incluídos brinquedos feitos no município paraense de Abaetetuba, apesar de não existirem registros históricos que os nomeiem explicitamente como integrantes do rol de produtos da Feira de Produtos Regionais da Lavoura e da Indústria.