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No momento em que se discute a preservação dos recursos naturais da Amazônia, não se pode esquecer que o amazônida faz parte integrante da ecologia regional. O Aurélio diz que esse ramo das ciências humanas estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ele, assim como os novos aspectos que os processos tecnológicos ou os sistemas de organização social possam acarretar para as condições de vida do homem.
O etimologista afirma que a ecologia dá importância relevante à cultura humana porque se interage come ela, o que coloca o artesanato como uma fonte de renda sustentável de uma região. Além da função utilitária e estética do artesanato para as pessoas e para a comunidade em geral, ele possibilita ao artesão melhores condições de vida, atuando contra o desemprego e contribuindo como fator de coesão e paz social. O artesanato também desperta e aprimora as aptidões latentes do artesão, sendo ainda de grande valor terapêutico para que o pratica ou o aprecia.
Todos esses valores agregados fazem com que o artesanato se torne uma das principais fontes de renda sustentáveis na região, porque atende plenamente as normas da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente criada pela ONU, que o define capaz de suprir as necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras e que gerem renda para as comunidades produtoras. Além de deixar uma casa mais bonita hoje em dia, o artesanato sustentável não é confeccionado com materiais que prejudicam o meio ambiente, utilizando preferencialmente insumos reciclados ou residuais.
Sobre essa sutil definição entre meio ambiente e ecologia, na qual o amazônida entra em questão, o radialista Ronaldo Tiradentes, da CBN Manaus, deixou um dos integrantes da equipe da Greenpeace, que visitava a capital amazonense abordo do navio da entidade preservacionista, denominado Artic Sunrise, deslizando nas palavras, quando lhe perguntou qual as alternativas de sobrevivência para os amazônidas numa Amazônia intocável. Outra questão que deixou o visitante evasivo foi sobre o foco exclusivo da entidade sobre a biodiversidade regional, deixando praticamente de fora o mais importante elemento da natureza que é o homem.
Para uma região delicada e de alta complexidade como a Amazônia, a conjugação entre desenvolvimento social e preservação ambiental não é tarefa fácil. Sabe-se que a Região é de grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta, pois nela
estão fixadas centenas de trilhões de toneladas de carbono. Suas florestas liberam anualmente, por evapotranspiração, em torno de sete trilhões de toneladas de água na atmosfera; e seus rios despejam nos oceanos cerca de 20% de toda a água doce existente no globo terrestre. Por outro lado, os 7 milhões de km² que abrangem a bacia hidrográfica amazônica (incluindo a bacia dos rios Araguaia e Tocantins), engloba a floresta amazônica com 38% (1,9 milhões de km²), de florestas densa, 36% (1,8 milhões de km²) de florestas não-densa, e 14% (700 mil km²) de vegetação aberta, como cerrados e campos naturais. Doze por cento dessa área total é ocupada por vegetação secundária ou por atividades agrícolas. Essa expressiva riqueza natural, contudo, não se sobrepõe, mas se integra ao conjunto de povos que habitam secularmente a Amazônia, constituídos por indígenas e populações tradicionais, que incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outros, que os destacam como diversidade cultural, um patrimônio social brasileiro que ainda preservam características originais relativamente preservadas, que se somam aos 22 milhões de habitantes da Amazônia brasileira que lutam por uma cadeia produtiva sustentável para a região.
Cabe aos indígenas e populações tradicionais não apenas o mérito de ocuparem harmonicamente a Amazônia, como o da preservação ambiental da região, através de suas ricas culturas sustentáveis, sedimentadas no uso de recursos naturais sem agredir o meio ambiente. Com essa preocupação permeando em todos os vieses de sua existência, caboclos e índios criaram habitações, cultivaram roças e animais domésticos, caçaram e pescaram, além de produzirem objetos utilitários para a sobrevivência e adornos pessoais com a sua capacidade criativa, polindo pedras, fabricando cerâmicas e tecendo fibras animais e vegetais. Assim também surgiu a pintura com pigmentos naturais, a cestaria e a arte plumária para a confecção de cocares, tangas e outras peças de vestuário e rituais tribais com penas e plumas de aves.
Há quem diga que os primeiros artesãos surgiram na Amazônia no período neolítico, há mais de 6.000 a.C. Alguns deles pertenciam a povos avançados que comerciavam a grandes distâncias e construíram aldeias evoluídas, cuja cultura já estavam bem desenvolvidas mais de mil anos antes do desembarque de Cabral no Brasil. Os pesquisadores são unânimes em afirmar que a cerâmica de alguns desses povos está entre as mais belas e bem elaboradas do mundo, tendo sido praticada na região há pelo menos sete mil anos, e não quatro mil, como se acreditava, além de ser autógena e não originária dos Andes colombianos, conforme se sustentou durante muito tempo. O artesanato indígena da Amazônia é até hoje considerado como uma das mais belas e significativas expressões da arte popular brasileira, ainda praticada com as técnicas primitivas, uso exclusivo de matéria-prima regional e inteiramente artesanal, tendo impressionante resultado artístico também assimilado por artesões não-índios que
trabalham no setor, como excelente produto turístico. A cerâmica de Icoaraci e o artesanato em fibras e sementes vegetais são outros exemplos disso, inclusive brinquedos de buriti e biojoias mais sofisticadas.
Praticado de várias formas, artesanato pode ser erudito, popular ou folclórico com trabalhos em cerâmica, funilaria, couro e chifre, com trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), e com tinturaria popular. A criatividade também se manifesta nas pinturas, desenhos, esculturas, trabalhos em madeiras, pedra, guaraná, cera, bijuteria, renda, crochê e papel recortado, que fazem do artesanato regional é um dos mais ricos do mundo. Essa arte garante o sustento de muitas famílias e comunidades, além de fazer parte do folclore, usos, costumes, tradições de cada região, se desenvolvendo onde são mais propícias à aquisição de sua matéria-prima, como barro, madeiras, sementes, fibras vegetais e plumas, constituindo-se um importante produto comercial e turístico.
A renda também está presente em roupas, lenços, toalhas e outros artigos e tem um importante papel econômico nas regiões onde é desenvolvida pelas mãos das rendeiras. O entalhe de madeira é outra manifestação cultural muito utilizada pelos indígenas nas suas armas, utensílios, embarcações, instrumentos musicais, máscaras e bonecos, que foi assimilada pelos não-índios, da mesma forma como a arte de trançar fibras (esteiras, redes, balaios, chapéus, peneiras e outros) se incorporou à cultura popular, que ganha mais identidade, beleza e força na Amazônia.
Podemos decorar nossa casa ou nosso corpo com objetos decorativos sustentáveis, ou seja, que utilizam matéria-prima reciclada e usam mão-de-obra carente, o que melhora a qualidade de vida do planeta e dessas pessoas que produzem esses materiais. Há comunidades em todo o país que desenvolvem vasos e objetos de cerâmica, mulheres que fazem objetos a partir das folhas e dos troncos das bananeiras, que utilizam o capim dourado para fazer mandalas e souplats, entre outras pessoas. Pois hoje em dia é cada vez mais comum as pessoas se preocuparem com a preservação do planeta e do lugar onde vivem, e o mercado da decoração tem refletido isso, com o aumento da procura por móveis de madeira que tem autorização do FSC (Conselho de Manejo Florestal)e por esses objetos. Fazer nosso lugar ser melhor não é só obrigação dessas pessoas, é nossa também, quando vamos até a loja e escolhemos qual produto vamos levar.
Artesanato paraense – O artesanato produzido no estado do Pará também é considerado rico e diversificado, principalmente pelo fato de ter suas raízes e influências em culturas indígenas que habitavam a região antes mesmo de sua colonização. A cerâmica, por exemplo, é uma das produções mais presentes no estado. Existem duas vertentes de inspiração para os artesãos que a produzem. A marajoara e a tapajônica, todas as duas com nomes que remetem às tribos passadas que criaram as técnicas e estilos de desenvolver esse tipo de cerâmica.
A cerâmica marajoara é facilmente encontrada em Belém ou no distrito de Icoaraci, a 16 quilômetros da capital. As peças produzidas seguem o estilo das civilizações que habitavam a ilha do Marajó no século passado, e se caracterizam por ter um alto desenvolvimento estilístico e técnico com exuberância e variedade decorativa.
As cerâmicas são geralmente ornamentadas com utilização de figuras pintadas em preto e vermelho. As mais procuradas e compradas pelos visitantes são as urnas, vasos e estatuetas, também consideradas o ponto alto da arte ceramista marajoara. Muitos compradores buscam reproduções de peças famosas, encontradas somente no Museum of Natural History nos Estados Unidos e no Museu Emílio Goeldi do Pará.
Já a cerâmica tapajônica, vem da cultura de índios que habitaram as margens e a foz do Rio Tapajós, na região que hoje é ocupada pelo município de Santarém, no oeste do Pará. Com características marcantes, a cerâmica produzida nesse estilo tem modelagem rebuscada lembrando até antigas peças de estilo barroco.
A produção desse estilo inclui vasos, cachimbos e muiraquitã, pequeno amuleto verde, que a tradição diz dar sorte para os homens que o usam. A cerâmica tapajônica é baseada também em achados arqueológicos, e sua principal característica é a delicadeza das peças. Elas dão a impressão de que os índios as produziam com finalidade estética, e não utilitária.
Além da cerâmica, os paraenses também utilizam as fibras de palmeiras como a jupati e tururi para criarem seus produtos. As fibras da jupati permitem uma utilização variada, as talas mais grossas se transformam em itens de cestaria e o âmago das talas, serve para produção de chapéus e coberturas. O tururi, com fibras entrelaçadas e de cor castanha é usado para a criação de chapéus, bolsas, sacolas e até peças de vestuário.
Quem gosta de enfeites e miniaturas, deve procurar os adornos feitos a partir do látex de uma árvore chamada balata. A goma extraída dessa espécie permite que os artesãos criem enfeites de vários tamanhos e modelos, e os preços são um atrativo à parte.
Outro forte do artesanato paraense é o uso de raízes, principalmente a raiz do patchuli, que tem um perfume forte e agradável. Com o patchuli, a criatividade dos artesãos é ilimitada, podendo ser encontrados leques, ventarolas, sachês e bonecas cheirosas que fazem sucesso com a criançada. Além do patchuli são utilizadas outras raízes e cascas de árvore como priprioca, macacaporanga, casca preciosa, macuracarã, cipó catinga, japana, mangerona, catinga de mulata, trevo, paraqueira e cumaru, que se transformam nos produtos com variações infindáveis.
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