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Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010
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Destaques
Educação indígena, uma revolução no Amazonas Ed. 89
Com uma população crescente, o censo demográfico do IBGE apontava 701.462 indígenas em todo o Brasil, no início do milênio. Deste total, 200.943 estavam na Região Norte e cerca de 120 mil no Amazonas, representando 17,10% da população indígena nacional. Os índios brasileiros pertencem a 220 etnias e falam cerca de 180 línguas. Os indígenas amazonenses se agrupam em 66 etnias, dos troncos lingüísticos macro-jê, tupi e caribe, ocupando uma superfície total de 45 milhões de hectares, o que representa mais de 26% do Estado.
Apesar de dispersos por um vasto território de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, os indígenas amazonenses têm educação assegurada por meio de projetos que o Governo do Estado mantém, garantindo condições de acesso e de permanência nas escolas à população índia, com educação diferenciada e específica, intercultural, bilíngüe, comunitária e de qualidade.
A prioridade é a formação de professores indígenas, que são capacitados para atuar como educadores em suas próprias comunidades. No Amazonas, a educação indígena possui 1.655 professores, que atuam em 47 municípios, e 723 escolas, onde estudam 49.019 alunos.
Para um Estado de dimensão continental como o Amazonas, enfrentar a floresta é um desafio até mesmo para as telecomunicações, pois existem cidades praticamente isoladas como Guajará, por exemplo. O difícil percurso fluvial para se chegar às comunidades, com até semanas de viagem, e as dificuldades logísticas características da Amazônia estão sendo vencidas pelo Sistema Presencial Mediado pela Tecnologia, implantado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para educação a distância. Este sistema também está sendo utilizado pela Secretaria de Estado da Educação amazonense. Para reduzir as desigualdades existentes, foi criada uma metodologia diferenciada para os indígenas, de acordo com a realidade de cada grupo e voltada para o conhecimento tradicional, respeitando a pluralidade cultural do Estado. A educação a distância que o Amazonas adota tem sido um dos instrumentos mais eficazes para resolver o problema tempo-espaço.
Por isso, estudar e fazer um bom curso superior ou tecnológico já não é mais privilégio de poucos no Amazonas, pois a educação a distância veio aproximar a escola do aluno, facilitando a vida de milhões de pessoas que buscam conhecimento e melhor qualificação para o mercado de trabalho. A UEA, por exemplo, utiliza esse recurso em aulas ou cursos pela televisão, auxiliados também pela Internet, facilitando, assim, a interação entre o professor e o aluno.
Por outro lado, pesquisadores da área descobriram que a televisão instrucional pode motivar e cativar estudantes, razão pela qual o Amazonas vive um momento especial no setor educacional por meio do Sistema Presencial Mediado pela Tecnologia utilizado nos cursos Normal Superior de formação de professores (Proformar), Ciência Política, licenciatura em Matemática e Educação Física, além de tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas. A educação indígena também se beneficiou do sistema, com ciclos de capacitações a técnicos de ensino indígena. A Secretaria de Estado da Educação tem direcionado atenções especiais a educadores e técnicos que trabalham com o ensino indígena no Amazonas.
A série de capacitações que foi iniciada em 2005 aplica cursos de Metodologia da Alfabetização em Língua Portuguesa e Língua Indígena, Fundamentos e Conceitos Legais de Educação Escolar Indígena e Metodologia de Matemática. Os conteúdos são ministrados a técnicos de Manaus e também a professores indígenas de Borba, Humaitá, Lábrea, Boca do Acre, Tapauá e Atalaia do Norte, que atuam como educadores nas comunidades parintintim, mura, jamamadi, apurinã, diaoi, mundurucu, saterê-maué, tenharim, juma, marubo, maioruna, mati, culina e canamari. Muitos deles foram capacitados por consultores-especialistas cadastrados no Ministério da Educação, inclusive pelo mestre em Antropologia Igor Scaramuzzi e pelas doutoras em Lingüística Cilene Campetela e Cristina Borella, que repassaram noções de antropologia, sociologia, legislação indígena e lingüística.
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