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A pedagoga Maria José Alves da Silva, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), é natural de Manaus. Desde janeiro de 2003, é diretora-técnica do Sebrae Amazonas. Maria José começou sua carreira como secretária-executiva dos cursos de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em 1977, permanecendo ali até 1979, quando assumiu um cargo no Sebrae Amazonas. Ao longo de sua vida profissional vem desenvolvendo projetos que beneficiam milhões de empreendedores no Brasil.
Considera sua mais relevante contribuição para a educação empreendedora brasileira a criação do programa de rádio “A Gente Sabe, A Gente Faz”, que está sendo veiculado pelo Sebrae em todo País. O programa visa estimular os dirigentes e futuros dirigentes de micro e pequenas empresas a adotar práticas gerenciais eficazes. Em sua extensa lista de capacitações, destacam-se os cursos Qualidade Total, pela Universidade de Washington, Estados Unidos; União Européia: Política, Economia e Moeda Única, pela Associação das Universidades da Região Norte (Aurn), Portugal; e Gerenciamento de Projetos Utilizando-se o MS Project 2000, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Brasil. Participou, também, de estágios no Babson College, Estados Unidos, e no Centre D`Entrepreneurchip et de PME, Canadá. Entre os inúmeros projetos que implantou no Amazonas, Maria José destaca o programa Empretec, uma verdadeira pós-graduação em empreendedorismo; Aventura no Mundo dos Negócios, curso desenvolvido por especialistas de Portugal; Junior Achievement, voltado para estimular o empreendedorismo entre os jovens em idade escolar; e o Aprender a Empreender, programa de ensino à distância desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Amazon View – Quais as principais metas do Sebrae Amazonas na promoção das micro e pequenas empresas?
Maria José – A missão do Sebrae é fomentar e desenvolver a competitividade das micro e pequenas empresas. Para atingir esse objetivo contamos com um corpo técnico qualificado, presidido pelo empresário José Roberto Tadros, e com o direcionamento dos diretores José Carlos Reston e Nelson Rocha. A presidência e a diretoria executiva do Sebrae elaboraram um planejamento estratégico que inclui projetos que vão desde a capacitação gerencial à inovação tecnológica, porque uma empresa se mantém não só pela capacitação de seus recursos humanos, mas, sobretudo, pela inovação tecnológica, do crédito e do acesso ao mercado. Possuímos projetos que cobrem toda essa carência. Temos um elenco de cursos, seminários e workshops, que preparam os empresários para os desafios do mercado. Nossa meta soberana é fazer com que as empresas possam permancer no mercado, pois as estatísticas mostram que a maioria das empresas tem dois anos de vida. Outra meta que a presidência e a diretoria do Sebrae têm é fazer com que a entidade esteja no interior do Estado do Amazonas, sabendo-se que não é fácil cobrir 61 municípios do interior, o que conseguimos graças a parcerias com o setor público e privado. Em convênio com a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), atendemos com ações de crédito 35 municípios.
Amazon View – Quais os principais benefícios que a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas promoverão?
Maria José – A Lei Geral é considerada como a redenção das micro e pequenas empresas, como o próprio nome já sugere. Ela é uma lei que lida com a carga tributária, com o tempo de abertura de uma empresa, pois no passado uma empresa demorava até 152 dias para ser aberta. Com a Lei Geral, em menos de 10 dias uma empresa poderá ser aberta. Essa lei lida com a facilidade no acesso à exportação, porque, hoje, a micro e pequena empresas têm dificuldade imensa em exportar seus produtos por motivos diversos, e um deles é a qualificação do produto. O Sebrae, a Fucapi, a Universidade, o Inpa e todas as instituições têm condições de ajudar as empresas a melhorar seus produtos e o fazem, mas esbarram no excesso da burocracia para a exportação. O preparo de uma pequena empresa para exportar não é fácil e o empresário possui sérias barreiras que nós esperamos desembaraçar com a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a fim de facilitar esse acesso à exportação e ao crédito. Sabemos que hoje uma pequena empresa tem as mesmas exigências de crédito de uma empresa de grande porte e lutamos para termos um tratamento diferenciado com essas empresas menores. Acreditamos, portanto, que a Lei Geral venha efetivamente concretizar esse tratamento diferenciado. Outra característica relevante da nova lei é a aprovação do “Super Simples”, que é o imposto único para o empresário pagar, sem a preocupação da proliferação fiscal e trabalhista do final do mês.
Amazon View – Quantos projetos a entidade executa atualmente no Amazonas? E qual o maior deles?
Maria José – Todos os projetos são prioridades para nós, porque todos foram selecionados através de muita análise e muito diálogo. Nós analisamos planos dos governos estadual, municipais e federal. Essa é nossa base para que possamos desenhar os nossos projetos; outra base é a nossa vivência prática no interior do Estado. Nesse conjunto de informações, cada projeto dentro de sua área é extremamente prioritário. Um projeto de desenvolvimento da cadeia de turismo para alguns municípios é vital, por ser sua única vocação, aquela que vai desenvolvê-lo. O projeto de fitoterápicos, por exemplo, pela nossa própria biodiversidade, pode promover a saúde da população, seja no âmbito das políticas públicas, através das prefeituras municipais, ou no âmbito da fitoterapia em si. Isso é prioritário para aquele município. Como a prefeitura de Barreirinha, por exemplo, que hoje já prescreve através de seus médicos, nossos chás e xaropes, devidamente estudados e analisados por consultores contratados pelo Sebrae. Com isso, a população passa a ir menos aos postos de saúde e gastam menos com medicamentos.
Amazon View – Faça uma breve avaliação dos projetos do Sebrae na cadeia produtiva do Estado.
Maria José – No momento, a instituição executa 14 projetos nos municípios amazonenses, projetos estes relacionados à cadeia produtiva do petróleo e gás; do agronegócio do açaí em Codajás e Anori; agronegócio do guaraná em Urucará; fitoterápicos e fitocosméticos em Barreirinha; guaraná e derivados em Maués; Pólo de pescado no Alto Solimões; turismo em Presidente Figueiredo; Comércio Varejista do bairro Alvorada I e Parque Dez, em Manaus; construção naval em São Sebastião do Uatumã; cadeia de floricultura em Manaus e seu entorno; setor produtivo de confecções e de vestuário de Manaus; cadeia do leite de Autazes e agronegócio em comunidades do Alto Solimões. São ações vitoriosas, nascidas das parcerias criadas pelo Sebrae, contemplando cada elo das cadeias produtivas em questão.
Amazon View – O que o Sebrae tem feito para fomentar o cooperativismo e estimular o desenvolvimento dos municípios amazonenses?
Maria José – Nós, brasileiros, precisamos aprender a trabalhar coletivamente; é uma questão cultural, pois somos um povo muito individualista. O cenário mundial nos ensina que, ou você trabalha coletivamente, em parcerias, ou não iremos conseguir enfrentar a competitividade do mercado atual. Criamos uma gerência do fomento e do desenvolvimento do cooperativismo, um projeto com verba específica, com profissionais qualificados. Como exemplo, temos o guaraná de Urucará, que é proveniente da cooperativa que precisava ser mais estruturada, mais trabalhada e ser oficializada. O Sebrae apoiou essa cooperativa e hoje ela está exportando de uma maneira fantástica para países como Itália, e se prepara para, em breve, exportar para o Japão. É uma das poucas cooperativas certificadas para o guaraná. A organização das pessoas em grupos é a grande saída para o Brasil.
Amazon View – Qual a estratégia do Sebrae para captar, descrever, analisar e promover o empreendedorismo?
Maria José – O Sebrae Amazonas tem influenciado de maneira decisiva na elaboração de leis e regulamentos estaduais e municipais e trabalha em prol das micro e pequenas empresas, auxiliando dirigentes de empreendimentos no que diz respeito a como melhorar produtos, vender mais e melhor e a ter acesso a serviços financeiros.
Amazon View – Quais os resultados da chamada Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor)?
Maria José – A Geor é a metodologia que determina território e grupo de trabalho para suprir as necessidades de um município. O Sebrae compartilha a execução de projetos com outros órgãos, a exemplo dos fitoterápicos de Manaquiri, onde procura solucioná-los em conjunto. O Sebrae entra com a metodologia Geor para evitar a superposição de ações de outras entidades, perda de tempo e dinheiro para solucionar o mesmo problema. No caso, o importante é o público alvo, que são aquelas famílias que estão assentadas naquele município, as quais vamos treinar para o aproveitamento do potencial local e melhorar a qualidade de vida. Então, o Sebrae mantém diálogo com os produtores e com os parceiros, fazendo um planejamento comum, onde cada órgão diz qual o seu papel e cada parceiro assina um contrato. A Geor é uma revolução silenciosa no País. Para a metodologia dar certo, é necessária a aderência indispensável das prefeituras, por que precisamos devolver para a sociedade os recursos financeiros, a nossa energia e a competência técnica da nossa casa.
Amazon View – Em que consiste o plano plurianual elaborado pelo Sebrae?
Maria José – O nosso Plano até 2009 acaba de ser concluído. É um plano que trabalha em cima de orçamentos, a fim de que possamos garantir recursos e a continuidade das ações do Sebrae na execução de projetos e de suas metas. E a maior vantagem do planejamento plurianual é a continuidade sistemática dos projetos no período.
Amazon View – Qual a participação do Sebrae na realização da III Fiam (Feira Internacional da Amazônia)?
Maria José – O Sebrae é um parceiro da Fiam. A feira é promovida pela Suframa, uma promoção inteligente, que congrega todos os setores, como artesanato, alimentação, confecção e o Pólo Industrial de Manaus, para mostrar ao mundo que aqui sabemos fazer as coisas e estamos preparados para atender ao mercado interno e externo. Tivemos uma participação mais efetiva nessa parceria com a Suframa com a Rodada de Negócios, porque é uma metodologia ampla, que une o produtor ao comprador para gerar negócios. Tivemos mais de 400 encontros entre compradores e ofertantes, desde o artesanato aos fitoterápicos. Empresas de caráter nacional como as dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, empresas de franquias fortes que vieram a Manaus. Nós também tivemos empresas do Canadá, Portugal e Espanha. O interesse pelos nossos produtos é extremamente vantajoso, e como resultado financeiro da Rodada de Negócios tivemos uma prospecção de pós-feira, de geração de 10 milhões de dólares em negócios, ou seja, quando você faz negócio com uma empresa, você não fornece só um mês, você passa a fornecer basicamente o ano inteiro.
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