Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Meio Ambiente
Poder e destreza das aves de rapina Ed. 89

Águias, gaviões, falcões e algumas espécies de corujas e abutres são os exemplos mais conhecidos de rapinantes, que representam cerca de 10% das aves do planeta, cuja maioria está concentrada na América Latina. No Brasil existem 83 espécies, 36% do total mundial das aves de rapinas. Elas têm visão aguçadíssima, o dobro da visão humana, e são capazes de avistar presas a dezenas de metros de altura e mergulhar sobre ela, diretamente. São também as aves mais velozes que existem na Terra, atingindo mais de 200 quilômetros por hora, no caso do falcão-peregrino, além de possuir duas armas letais: o bico afiado e as garras em forma de foice, atributos que permitem pegar as vítimas na primeira tentativa.

As aves rapinantes têm como presas favoritas os répteis e anfíbios, tal qual cobras e sapos, além de pequenos mamíferos, especialmente roedores, desde ratinhos a cotias. A águia é considerada a rainha dos céus e foi o símbolo de poder adotado pelas legiões romanas, pelo exército de Napoleão e pelos Estados Unidos. Mas a ave de rapina mais forte do planeta é o brasileiro gavião-real ou uiraçu, implacável até com animais maiores, como cachorros-do-mato, preguiças e filhotes de veado. Há 50 anos, esta rapinante era encontrada em quase todo o território nacional, mas tornou-se quase extinto fora da Amazônia. 

O carcará é outra a ave de rapina brasileira famosa, cantada em verso e melodia pelo cancioneiro nordestino. Ele sobrevive nas condições mais adversas da seca no sertão e se alimenta até de carniça de animais. O veloz falcão, por sua vez, é capazes de quebrar todos os ossos ao chocar-se contra de seu prato predileto, o pombo, depois de disparar em sua direção. A presa despenca no chão quase morta, quando a rapinante arranca-lhe as vísceras para alimentar também os filhotes. As corujas são as aves com a audição mais aguçada, além de enxergarem no escuro. Ao perceber a presença de um rato, sua comida favorita, a coruja dá o bote certeiro, pois suas asas são tão leves que não fazem barulho.

As aves de rapina apresentam grandes variedades de tamanhos, que vão desde o do pequeno sabiá até o de grande porte como o gavião-real, que atinge cerca de dois metros de envergadura. Os rapinantes somam em todo o mundo 430 espécies, distribuídas pelo mundo, exceto na Antártida, cuja maioria possui hábitos predatórios, bicos curvos e aguçados, garras afiadas e fortes, além de potente vôo. Estas aves possuem um sentido de visão bastante apurado, alguma delas com ótima audição, capazes de localizar uma presa na mais completa escuridão.
As aves de rapina são formada pelas ordens falconiformes (águias, gaviões e falcões) e strigiformes (corujas). Os urubús (cathartiformes) também eram considerados rapinantes até que nas últimas pesquisas biomoleculares descobriu-se que são parentes das cegonhas e não dos gaviões, como se acreditava. 

 A ordem falconiforme é o grupo a que pertencem as aves de rapina diurnas, estando dividida atualmente em quatro famílias: accipitridae, falconidae, pandionidae e sagittariidae (esta última sem representante brasileiro). Os accipitrídeos constituem uma família bem numerosa, com cerca de 231 espécies classificadas em aproximadamente 65 gêneros. O grupo tem distribuição mundial e pode ser encontrado numa enorme diversidade de climas e habitat.

A família accipitridae é muito próxima dos falconídeos e distingue-se pelas técnicas de construção de ninhos, olhos amarelos, encarnados ou amendoados (por oposição aos olhos castanhos dos falcões) e diferenças na anatomia do esqueleto. São aves que se alimentam exclusivamente de carne, como predadores ativos ou como necrófagos (como os abutres).

A família falconidae inclui cerca de 60 espécies de aves de rapina, distribuídas em 10 gêneros. Os membros dessa família possuem espécie de dentes serrilhados na parte superior do bico. Os falcões do gênero Falco são bastante especializados no vôo, sendo velozes e ágeis, como o falcão peregrino por exemplo.


 


     
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